Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

As Palmeiras São Nossas! . new smile, new life 176

"Não somos responsáveis pelas emoções, mas sim pelo que fazemos com as emoções." Jorge Bucay

 

As Palmeiras São Nossas!

 

 

O Dr. Magdy e eu saímos da luz tremeluzente mas suave da floresta de palmeiras para o sol forte, passámos junto das bananeiras e das últimas cabanas, pela passadeira de orla florida, e fomos ter onde acabava a terra fértil e começa a terra morta. Onde acabavam os jardins floridos e começava a areia seca. Subimos até ao deserto para, lá em cima, visitar, na superfície infinita, as escavações das pirâmides dos antigos faraós, resgatadas da areia.

Regressámos ao fim de algumas horas. Parámos na primeira e única cabana das redondezas e saímos do carro. A cabana estava à sombra de três palmeiras particularmente bonitas. Magdy quis fotografá-las. Focou a máquina e fez clic. Tudo o resto era silêncio.

Nesse silêncio que pairava no ar, entrou, de repente, uma menina pequena. Com cabelos desgrenhados e movimentos ágeis, descalça, escura e magra, aproximou-se silenciosamente de Magdy.

— Queres fotografar as palmeiras, mas para isso tens de pagar — disse, quando se pôs à frente dele.

Olhava-o com um olhar desafiador e estendia a mão na sua direcção.

— Vai-te embora! — disse Magdy, que mediu a distância com passadas, carregou no botão e depois passou para o outro lado da estrada.

A menina esfarrapada e frágil atravessou-se-lhe no caminho.

Ele afastou-a para o lado como a um cão incómodo.

Ela seguiu-o e falava-lhe:

— As palmeiras são nossas — dizia ela, cada vez mais insistente e com a voz subindo de tom. — Se queres tirar-lhes uma fotografia, tens de pagar.

— Vai à fava! — repetiu ele.

A pequena olhou-o, furiosa, e repetiu com uma voz estridente:

— Tens de pagar. As palmeiras são nossas! São as nossas palmeiras.

Magdy, até aí excessivamente paciente, não suportou aquele tom.

— É atrevida e desavergonhada — disse, voltando-se para mim.

Com poucas palavras enxotou a criança, o que a exaltou ainda mais.

Eu não compreendia o que diziam, porque ambos usavam palavras pouco habituais e limitavam-se a lançá-las à cara um do outro. Contudo, percebi uma frase que a menina disse, porque, essa frase, disse-a devagar, palavra a palavra, cheia de desprezo e de raiva.

— Vocês são avarentos, como todos os ricos. Avarentos e maus!

Magdy tirou mais uma fotografia e nessa ficou a menina, pois tinha recuado para junto das palmeiras.

Mal se ouviu o disparo da máquina, ela recomeçou de novo, com a voz a tremer de raiva:

— São as nossas palmeiras! E eu, eu… Oh, vocês, os ricos!…

Pareceu-me que, no gaguejar selvático, também transparecia medo.

Acreditaria ainda aquela criança na antiga crença pagã de que, com a imagem, também se obtinha o domínio do objecto? Perguntei- lhe:

— Tens medo por teres ficado na fotografia?

A menina olhou-me admirada e respondeu-me calmamente:

— Não, não tenho medo nenhum.

E, sem mais uma palavra, regressou à cabana.

Segui-a, preocupada, e quis entrar, mas a menina tinha trancado a porta por dentro. Não abriu quando bati.

Magdy também se aproximou. Franziu o sobrolho quando se ouviu, saído da cabana, um fraco gemido de recém-nascido.

— Uma criança doente! — disse ele, e pediu à menina que abrisse.

Mas a porta permaneceu fechada. E nem mesmo se abriu a um segundo pedido nosso.

— E a mãe que não está junto do filho doente… — disse eu.

— Ela está no campo. Tem de trabalhar.

Em seguida, através da porta, Magdy disse à menina que era médico e que podia ajudar.

Ela não respondeu.

Ficámos parados, indecisos. Após alguns momentos, ouvimos a menina dizer para a criança:

— Vais morrer e a mãe vai bater-me porque não sei pedir esmola. Os estrangeiros têm muito dinheiro mas não nos dão nada. E as palmeiras até são nossas!

 

 

my vision for a new life

 

 

Entender os SINAIS...

 

Toda e qualquer emoção que sentimos "positiva" ou "negativa" não tem a ver propriamente com o evento ou com a situação que estamos a viver, e sim com o significado que lhe estamos a atribuir. Nada tem significado, apenas o significado que lhe atrinuimos.

 

De igual forma não existem emoções positivas ou negativas. Existem apenas emoções. Positivas ou negativas é o significado que nos foi passado e que tem a ver com a actual leitura que fazemos da forma de agir face à emoção que estamos a viver.

 

As emoções são apenas indicadores, sinais para agir. Podemos fazer uma comparação utilizando o painel de instrumentos - tablier - do nosso carro; o velocímentro, conta-rotações, indicador de combustível, etc., todos estes intrumentos passam-nos informação. Poderíamos conduzir a nossa viatura sem estes instrumentos? Sim... com riscos adicionais! Poderíamos tapar os instrumentos para não os ver e assim não recolhermos a informação que nos está a ser transmitida? Sim... com ainda mais riscos adicionais!

 

Isto é o que fazemos muitas vezes com as emoções "negativas", não as queremos sentir, ou fazemos que não as sentimos até que um dia elas são tão intensas que não conseguimos mais fugir...

 

As emoções são apenas, um sinal de informação. Mais do que isso um sinal para entrar em acção, para agir.

 

Estes sinais que as tuas emoçoões te passam são essenciais à condução do automóvel topo de gama que é a TUA Vida.

 

Para a semana irei começar a falar de emoções "negativas" em específico (Medo, Frustação, Desilusão, Raiva, Solidão, etc.)...

  

Até lá podes fazer um exercicio simples; anotar (ou pelo menos estares atento) a que emoções sentes numa base diária. Podes (e deves!) considerar as positivas e as "negativas". Com este exercício simples poderás começar a identificar o teu padrão emocional.

 

Bom exercício e até ao post da semana que vem...

 

Amor & Gratidão

publicado por lifecoaching às 07:16
link do post | comentar | favorito
|
3 comentários:
De susana a 8 de Setembro de 2011 às 22:02
Boa Tarde,
O seu texto diz muito e seus comentários também, eu concordo a emoção leva muitas vezes á acção, porque ao passaramos por diversas etapas da vida, a nossas emoções levam agir, o que por vezes não sai o que esperamos, por vezes passamos por desilusões mas faz parte do processo da nossa vida, não concorda?
Obrigada


De lifecoaching a 11 de Setembro de 2011 às 18:33
Olá Susana,

Grato pelo teu comentário.

Sim concordo quando dizes que as desilusões fazem parte do processo da vida. Tudo faz parte, o bom e o menos bom.

O bom cabe-nos celebrar e reforçá-lo. O menos bom aprender com a mensagem e seguir a jornada da vida...

Num dos meus post seguintes irei falar de desilusão... aguardo pelo teu feedback!

Grato.


De Anónimo a 13 de Setembro de 2011 às 22:25
a


Comentar post

Em parceria com

Espaço de Coaching Pessoal

Mais do que um blog, este consultório online é um espaço onde pode saber mais sobre Coaching Pessoal. Para si que tem questões e dúvidas nas áreas mais importantes da sua vida o Coaching é uma poderosa parceria que o habilita a gerar mudança, e mudar a sua vida.
Pronto para levar a sua VIDA, os seus Objectivos e as suas Metas para o próximo nível?
O Coaching facilita e leva-o a descobrir poderosas estratégias que o transportam numa fantástica jornada de descoberta e crescimento de onde está AGORA, para onde sonha e deseja vir a estar.

Envie a sua questão:E-mail: jorge@jorgecoutinho.com

Jorge Coutinho

Results Coach e Neurostrategist, Practitioner em PNL, Hipnoterapia e Time Line Therapy e Master Trainer em Coaching. É Membro da comunidade Anthony Robbins sendo actualmente o primeiro e único Senior Leader desta organização em Portugal. Instrutor de Firewalking.
Membro do ICF (International Coach Federation). Criador do Workshop de Desenvolvimento Pessoal “SIM, TU Podes!”.
Licenciado em Gestão com Pós-Graduação em Sales Management. Co-Fundador e Partner da BeCoach, empresa de Business Coaching que actua na área de Coaching de executivos e alta performance em liderança empresarial.
Como lema de vida adoptou para si a frase de um dos seus ídolos: Não podemos voltar atrás e fazer um novo começo,mas podemos sempre recomeçar e fazer um novo final.Ayrton Senna


Contactos:
Telemóvel:917 884 319
E-mail: jorge@jorgecoutinho.com
Site: www.jorgecoutinho.com

posts recentes

Mafalda e o Ano Novo . ne...

O Colibri . new smile, ne...

4 Regras simples para SER...

A Cidade dos Resmungos . ...

Persistência . new smile,...

Mantém-te Insaciável. Man...

O Papel . new smile, new ...

O Poder do Entusiasmo . n...

A Chávena Cheia . new smi...

Milho, Pipoca e... Piruá ...

arquivos

Fevereiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

subscrever feeds